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NORTE ALENTEJANO

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    É Alentejo - mas não é bem Alentejo. Tem traços da Beira, outros do Ribatejo. É menos plano, mais verde, menos amplo, mais variado. Habitado por um povo de falar ainda mais marcado, o Alto Alentejo, hoje distrito de Portalegre, cobre o termo do que foram as terras de Avis, esse espaço imenso e pouco povoado que D. Afonso II situava entre Santarém, Coruche, Évora, Elvas e Abrantes. 

     Terra de transição, nela ainda encontramos os espaços abertos e muito levemente ondulados da peneplanície alentejana a par com relevos vigorosos como os da serra de São Mamede. Conforme caminhamos para norte, os campos cerealíferos de Campo Maior, onde ainda domina a grande propriedade, vão dando lugar a hortas, vinhedos e olivais que se dividem por muitos donos e se dispõem em mosaico numa paisagem de morros mais marcados e vales mais cavados. 

 

 

         Os povoados, antes de um branco luminoso e quase violento, tornam-se mais sombrios, o granito substitui, como material construtivo, o xisto e o adobe, e a pedra nobre surge à vista, aparelhada e robusta. 

     Nos campos, as árvores do sul, sobreiro e azinheira, dão lugar aos carvalhos de folha caduca, e nas encostas verdes de São Mamede, ao castanheiro. É o sinal de que passamos das terras de verões longos e secos para aquelas onde já chega alguma brisa marinha e onde o ar ainda carrega alguma humidade. Se o Guadiana e o Sado, rios quase secos, marcam o sul, aqui já estamos na bacia do Tejo e há muito que as linhas de água do afluente Sorraia foram represadas numa malha de albufeiras que refresca a paisagem e rega as baixas verdejantes.

Norte Alentejano
José Manuel Fernandes

 

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